
Querido leitor, olá! Seja bem-vindo(a) a mais uma matéria da Journal Academy, o centro mais amado de informações da comunidade de RPG’s. Hoje, iremos mergulhar numa das áreas mais importantes de todo RPG: os sistemas. Se os jogadores fazem o RPG viver, os sistemas é quem lhe dão identidade. Para nos acompanhar e nos fazer entender cada aspecto dessa enorme responsabilidade que é criar sistemas, trouxemos alguém cujo nome ressoa entre os criadores de RPG de One Piece: Darllan, o fundador do One Piece Adventure!
Quem é Darllan?
Para começar esse bate-papo, devemos nos questionar: “quem é Darllan?” Darllan, ou para os íntimos, Pedro, é o criador de todos os sistemas presente no One Piece Adventure, RPG que, para muitos, significa a revolução e a base dos atuais RPG’s inspirados em One Piece.
Questionado um pouco sobre sua jornada neste mundo, Darllan nos revelou:
“Estou nisto há, pelo menos, nove a dez anos. Tudo começou no Amino, quando eu tinha uns dez, onze anos. Minha memória é péssima, perdão.”
Mas, então, o que é o Amino? “Um aplicativo que funcionava como um conglomerado de comunidades de vários tipos e focos. No meu caso, eu comecei tudo na Otanix, a maior comunidade do Brasil. Não era sobre RPG mas, como era a maior do Brasil, tinha de tudo um pouco.” Interessante, não?
Agora que conhecemos tanto Darllan quanto a sua origem no Amino, cria-se a dúvida:
Como foi a sua jornada de uma década neste criativo e competitivo mundo?
Para nos responder, ele resgatou suas lembranças desde o início inesperado no Amino até sua migração para o WhatsApp.
“Não acho que há muito o que ser romantizado ou explorado na minha ‘jornada’, por assim dizer. Eu comecei como um péssimo player num péssimo RPG escolar, como a maioria. Na época, eu era muito novo e não tinha noção de escrita e nem de idealização, mas a arte de escrever e a jogatina de um RPG permitiu que eu, um garoto que já vivia muito no próprio mundinho, desenvolvesse essas duas coisas com o passar do tempo. Fui criando amizades, fui conhecendo o Amino, me aventurando em outros RPG’s e, quando eu vi, já não era mais uma criança iniciante semianalfabeta e estar no Amino já não me dava tanta alegria e felicidade quanto antes. Aí, foi fácil, comecei a pesquisar e explorar outras plataformas, tive poucas experiências no Discord, um pouco mais no Facebook mas o que realmente me entregou uma nova emoção e vontade foi o WhatsApp, onde eu vi uma oportunidade de aprender mais e melhorar, tanto como jogador mas, principalmente, como criador.”
Isso significa que a plataforma WhatsApp é melhor do que a plataforma Amino? “Sim e não. Veja bem, eu considero o Amino com um nível técnico médio de jogadores maior que o do WhatsApp. Ao menos, era assim na minha época. Porém, lá era só isso: jogadores bons e extremamente competitivos. Essa era a média dos jogadores, daqueles que sabem o que estão fazendo. No WhatsApp eu já vejo jogadores bem diferentes. É competitivo, sim, mas não no mesmo nível. Por outro lado, os criadores do WhatsApp superam os do Amino fácil, tanto na questão de criar sistemas quanto na questão de organizar o próprio RPG. Cada plataforma tem seus méritos.”
Em um resumo de suas palavras, o Amino formou Darllan jogador e o WhatsApp formou Darllan criador. Tópico interessante, mostra como cada lugar pode te moldar e te melhorar sem conflito algum.
Darllan em foco!
Agora que já desvendamos boa parte da história desse ícone do mundo dos RPG’s de One Piece, cabe a nós entender um pouco como foi a sua jornada como criador e quais foram as suas criações. Para isso, ele nos admite algo inesperado bem no começo de suas palavras, vejam só:
“Minha primeira tentativa de RPG foi um RPG plagiado. Eu já tinha jogado alguns e, como já tinha feito um grupinho de amigos, decidi fazer um RPG para a gente. Então, literalmente fiz um Control C + Control V nos sistemas de um RPG que eu já tinha participado e copiei tudo o que eles tinham. Não durou muito, até porque isso fez toda uma briga ser criada e, depois disso, fiquei um tempinho sem tentar criar mais nada. Aprendi minha lição sobre plágios ali, então é algo que eu me arrependo e sinto vergonha até hoje, admito. Bom, sei que depois disso eu fui criando RPG’s de forma esporádica e sem seriedade nenhuma, eu só queria juntar meus amigos para jogar no mesmo lugar e criava esse lugar.
Acredito que meu primeiro RPG sério veio alguns anos depois, quando eu já estava maduro e minimamente decente na escrita e na imaginação. Foi um RPG de Dragon Ball que eu fiz com um dos meus melhores amigos, Bryan. Foi a primeira vez que eu comecei a estudar para criar um RPG e a primeira vez que minhas ideias começaram a ter um tom ‘inovador’, trazendo aspectos que eu nunca tinha visto antes no Amino e que deram super certo e o público recebeu muito bem. Foi meu primeiro sucesso como criador de fato. Depois disso, ainda me aventurei nas criações dos outros mas também fui melhorando como criador, fazendo um outro RPG que servia mais para eu e meus amigos jogarmos e nos divertimos. Isso também aconteceu na mesma época que comecei a minha migração, explorando outras plataformas sem largar totalmente o Amino.
No WhatsApp eu fui chamado para administrar muitos projetos e foi quando eu comecei a me enxergar mais como administrador/criador do que como jogador, e aí foi quando essa ideia ficou na minha cabeça e todo RPG que eu queria participar eu criava. Refiz o de Dragon Ball numa versão para o WhatsApp, fiz outro de Naruto chamado Shinobi Spirit, alguns medievais que eu me arrisquei no Amino com vários nomes do mesmo universo, Stranger World, Misteric Magic, The Dark Land e, finalmente, o Harieth, o sucessor que eu desenvolvi tão bem a história e o universo que decidi fazer uma obra a partir deste RPG.
Depois de vários projetos administrados e criados, eu não me via e não me encaixava no RPG de ninguém, as coisas tinham que ser do meu jeito e, de certa forma, só confiava em mim mesmo para fazer um bom trabalho. Dessa forma, quando foi anunciado One Piece na Netflix, vi um desafio empolgante: fazer um bom RPG para uma obra que eu amava tanto. Convidei um antigo amigo para me acompanhar e me dar as primeiras impressões e, no final, deu o que deu.”
Desafios e Conquistas
Agora que estamos cientes de sua longa história, afinal, são dez anos fazendo parte dessa cultura, viemos ao ponto alto da entrevista e aquela que você deve estar bem curioso para descobrir a resposta: “Qual foi a sua experiência com o One Piece Adventure, sua maior criação?” Para nos responder, pensou um pouco e disse:
“Boa, no geral. Nunca achei que um RPG meu iria marcar tanto, tanto a mim quanto a todos os outros que participaram e gastaram tanto tempo numa criação minha. Foi bom, extremamente desafiador e estressante, principalmente por causa dos plágios e as lacunas abertas que a obra deixa e eu tive que preencher, mas não me arrependo. Tivemos muitos momentos marcantes e verdadeiros, momentos que incluem medo, tensão, riso, alegria e, por último e que eu acho mais difícil fazer os jogadores sentirem, orgulho. Errei muito na questão administrativa e criei muitos ‘inimigos’ por conta disso, mas não acho isso ruim. A quantidade de pessoas que viraram amigos leais é maior e a quantidade de pessoas que lembram de mim com carinho e agradecimento é duas vezes maior. Acho que, no fim, é isso o que importa.”
Belas palavras de um verdadeiro entusiasta da cultura do RPG.
Conselho e Considerações Finais
Para encerrar essa entrevista, pedimos que ele, alguém tão experiente e que já passou por tanta coisa, dê um conselho àqueles que desejam criar bons sistemas e serem reconhecidos pelas suas criações.
“De nada adianta você criar algo que você não domine. Para criar o One Piece Adventure eu passei madrugadas lendo e relendo a obra e passava o dia todo em fóruns, vendo vídeos e conversando com outros fãs da obra. Eu tinha que dominar o assunto e, depois disso, eu tinha que dominar os sistemas que criava, saber cada brecha, cada possibilidade e como os jogadores poderiam se aproveitar ao máximo. É esse tipo de cuidado que você precisa ter antes de tudo. A partir daí você consegue saber o que terá que ser atualizado, testado e o que está perfeito. Também acredito que é necessário saber dosar bem para que os sistemas não fiquem tão mecânicos e previsíveis, é necessário para permitir a liberdade criativa do jogador. Enfim, tudo isso é um processo longo, então seja paciente para ficar o mais perfeito possível. É chato, claro, mas vale a pena, eu garanto. Confia no pai, eu sei o que eu digo.”
Bom, este é, para aqueles que não conhecem, Darllan, o criador do One Piece Adventure! Meus agradecimentos a você, querido leitor, que apoia a Academy e que leu esta matéria. E também ao mestre que nos forneceu seu tempo para passar suas experiências e palavras. Sem mais enrolações, fiquem ligados: esse é só o começo grandioso da Academy e do Journal!
Academy: De RPGistas, para RPGistas!
NOVIDADES MAIS RECENTES

BIBLIOTECA ACADEMY